Por Moyses Pinto Neto (*)
As recentes manifestações de cunho religioso contra a decisão do STF que reconheceu o direito à união estável por parte dos gays e as respostas à criminalização da homofobia por parte da banda fascista do Parlamento são preocupantes. Mas já vou adiantando: não compartilho da visão de que a “laicidade” do Estado está sendo atacada por religiosos, tampouco que a criminalização da homofobia seja algo positivo. Não porque concorde com homofobia ou com as causas evangélicas, por óbvio. Quem lê o blog já deve ter percebido que penso de forma diametralmente oposta a tais grupos. No entanto, é preciso pôr algumas vírgulas nessas questões, pois são mais complexas que parecem.
Que papel desempenha o princípio da laicidade no mundo atual? No lugar onde é mais fortemente invocado, a França, é utilizado pelos “republicanos” contra minorias islâmicas a fim de preservar a “neutralidade religiosa dos espaços públicos”. Sabemos, contudo, que privar uma pessoa da possibilidade de ostentar um símbolo religioso não é neutro, mas uma atividade repressiva que envolve a tomada de uma posição cultural (no sentido forte, de ética, pertencimento a uma morada, ethos). Além disso, conhecemos a hipocrisia de tais proibições: fundadas na emancipação feminina (causa totalmente respeitável e urgente), elas não terão a mesma eficácia em proibir discursos católicos em relação à castidade das mulheres e ostentação de crucifixos. Em suma, a laicidade é hoje usada na França como máscara jurídico-política da xenofobia crescente no país. O que os franceses chamam de “laicidade” ou “republicanismo” não é outra coisa, observadas certas particularidades, senão a alergia ao estrangeiro.
Pode-se alegar, nesse sentido, que há casos mais simples: por exemplo, na questão da retirada dos crucifixos em salas de audiências (que, por sinal, foi rejeitada pelos magistrados brasileiros). É verdade. Nesse caso, teríamos uma estrutura de tribunal “neutra” da qual é possível desafogar os símbolos religiosos (obviamente, a objeção dos católicos é ridícula: comparar o Cristo Redentor, símbolo religioso-cultural em um espaço público, com um crucifixo em um espaço estatal é deixar de lado o bom senso). Porém imaginemos a seguinte situação: um aborígene neozelandês, guiado por práticas restaurativas que hoje influenciam as melhores correntes de pensamento criminológico, cai em uma sala de audiências. Será o espaço de um juiz acima das partes, vocabulário exótico e estrutura “trinária” algo realmente neutro para ele?
Podemos confirmar essas observações por meio da riqueza de estudos em filosofia política, antropologia e outras áreas acerca da secularização como processo de incorporação de conceitos teológicos à esfera profana. A obra Homo Sacer (enquanto sequência de trabalhos) do filósofo Giorgio Agamben é, nesse sentido, o maior exemplo, embora não seja o único nem o primeiro. Na realidade, a laicidade é, como ensina o português Fernando Catroga, o passo em que a secularização se converte em religião civil, paradoxo que põe em xeque as convicções liberal-modernas de que é possível eliminar esse tipo de problema mediante abstrações, sem uma direta conexão (profanatória, antropofágica, desconstrutiva, reacionária etc.) com a tradição.
Os liberais – e vivemos sob a égide do paradigma liberal na política – pensam na questão exclusivamente em termos de tolerância. A fórmula é de que as religiões diversas devem ser toleradas na esfera pública e relegadas à liberdade da esfera privada. A aposta no “laicismo” dos movimentos gay e feminista, por exemplo, no fundo reflete isso: a crença de que, gostem ou não de mim os fundamentalistas religiosos, é ainda possível em um Estado Liberal que este não interfira na esfera privada, deixando a liberdade de cada um intacta mediante a tolerância recíproca. É a perfeita imagem monádica do mundo, em que esferas atômicas cerradas em si mesmas mantêm a plena indiferença uma a outra, coincidindo a liberdade com a propriedade e resultando na crise ético-política que vivemos atualmente.
Acredito que devemos ir adiante e girar o foco menos para o “laicismo” (que pode ser útil em certos casos, e não se mostra ideia desprezível) e mais para a própria possibilidade de construção de discursos que ajam no interior das formas-de-vida, rompendo a crosta monádica do indivíduo-livre-e-tolerante moderno. É preciso perceber que o que vivemos atualmente é, sobretudo, um choque com a experiência positiva da política. Em outros termos: as posições conciliadoras que relegam a altos graus de abstração os problemas, a fim de fugir dos conflitos vitais, acabam por tornar tudo tão formal e abstrato que se transformam, por isso mesmo, em teorias desconectadas da realidade. Precisamos enfrentar essa experiência ético-política do entrechoque das formas-de-vida.
É necessário interromper a “tolerância” com o fascismo, não com violência contra os fascistas (daí minha crítica à utilização das vias penais), mas justamente exibindo a respectiva violência. Devemos mostrar que quem dá o soco e tem seu braço interrompido no meio do caminho não está sendo agredido por quem se defende. De outra forma: precisamos exibir o sofrimento daqueles que vivenciam a violência cotidiana opaca e muitas vezes alicerçada em tradições. Não que isso seja uma estratégia passiva; é uma estratégia pacífica. Os próprios cristãos – seguidores de uma sabedoria milenar – devem reagir contra a interpretação fanática e equivocada das Escrituras. Pois qualquer um que tenha estudado a história de Jesus de Nazaré – e para isso basta ter passado pelo colégio – sabe que sempre foi ao Outro, e não as moralistas, que ele se dirigiu. Não podemos nos conformar com a mera “tolerância”; devemos convencer as pessoas – por meio da concretude da violência que exercem – que elas precisam interromper esse processo, que elas precisam ser com a diferença. É preciso mostrar que é errado ser preconceituoso, violento, discriminatório com gays ou quem quer que seja (experiência sempre dolorosa de ruptura com nossos saberes prévios, com nossa segurança do ser, com nossa autoconservação). Essa experiência da política material – bem distinta dos moldes jurídicos da política liberal – é fundamental e precisa ser recuperada. Não devemos nos acovardar diante da magnitude da tarefa.
Sobre Moyses Pinto Neto
Pesquisador transdisciplinar da violência. Doutorando em Filosofia (PUCRS). Mestre em Ciências Criminais (PUCRS). Professor de Criminologia e Direito Penal da ULBRA.
Fonte: http://nossocoletivonegro.blogspot.com/
Notícias e informações sobre política, cultura, arte, artesanato, eventos populares e movimentos sociais.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
terça-feira, 28 de junho de 2011
UMA ROSA COM AMOR PARA VOCÊ
De: Roberto Matias e Silvio M. Santos
Explodiu uma alegria no ar
Com muita emoção
Vou festejar
Vamos todos brincar
É São João deixa a fogueira queimar
Sou Rosa, Rosa Divina eu sou
Vem pra cá pra me ver
Só pra saber
Bato forte no meio peito
Só quero ver essa Rosa crescer
No meu coração,
Não tem espaço
Pra outra Rosa não, não, não
Venho da roça o luxo não me importa
Sou quadrilheiro
Sou tipo caipirão
Por isso eu passo a noite inteira
Pertinho da Fogueira
Para me aquecer
Essa Rosa é com amor pra você
Arrasta o pé no salão
Dando viva a São João
Explodiu uma alegria no ar
Com muita emoção
Vou festejar
Vamos todos brincar
É São João deixa a fogueira queimar
Sou Rosa, Rosa Divina eu sou
Vem pra cá pra me ver
Só pra saber
Bato forte no meio peito
Só quero ver essa Rosa crescer
No meu coração,
Não tem espaço
Pra outra Rosa não, não, não
Venho da roça o luxo não me importa
Sou quadrilheiro
Sou tipo caipirão
Por isso eu passo a noite inteira
Pertinho da Fogueira
Para me aquecer
Essa Rosa é com amor pra você
Arrasta o pé no salão
Dando viva a São João
ROSA DIVINA
| Rosa Divina, apresentação no Flor em 2011 |
Apresenta: São João nas Festas
A quadrilha Rosa Divina vai colocar no “curral” de dança da XXX Mostra de Quadrilha o tema “São João nas Festas” que será apresentado em cinco atos por 40 pares, coreografados pela Nara Teixeira. De acordo com o diretor artístico e compositor Roberto Matias. “Vai valer a pena assistir a nossa querida quadrilha Rosa Divina no Flor do Maracujá este ano”.
A Rosa Divina é a única quadrilha que se apresenta no Flor do Maracujá desde a primeira Mostra de Quadrilhas e Bois Bumbás que aconteceu na quadra do colégio Rio Branco em 1982. “Na realidade nosso grupo completou 32 anos em atividade, no dia 13 de maio, quer dizer, somos mais velhos que a Mostra da Secel”, lembra Roberto.
Considerado como o grupo que mais preserva a tradição da brincadeira de quadrilha a Rosa Divina é responsável por várias inovações dentro do Flor do Maracujá, por exemplo, foi a primeira a colocar uma orquestra, inclusive, com naipes de metais tocando durante suas apresentações, foi a primeira a utilizar música própria e de autores e compositores de Porto Velho e também a criar coreografia especial para cada música. A Rosa Divina sempre está brigando pelo título e em conseqüência, consegue ótima classificação, já foi 4 vezes campeã no Flor do Maracujá e outras tantas vezes no “Flor de Candeias” e Arraial da AFA.
Sua versão mirim vai dançar no Flor do Maracujá no dia 2 de julho com 30 pares e defendendo o tema: “sorriso” que foi escolhido pelo organizador e vice presidente do grupo Reinaldo Cruz.
Ficha técnica
Presidente: Emanuel Eleno
Marcador: Alisson Laborada
Casal de noiva e noivo: Lilma Andrade & Fábio
Velho e Velha: Renato e Dila
Coreografa: Nara Teixeira
Maria Bonita e Lampião: Iuna e Thiago
* Sílvio Santos é colunista cultural renomado, assinando página concorridíssima no Jornal Diário da Amazônia
segunda-feira, 27 de junho de 2011
BELEZA GAY
CANDIDATO DE RONDÔNIA VENCE O MISTER BRASIL DIVERSIDADE
Quatorze homens representaram na noite de quinta-feira, 23, a beleza gay dos Estados do Brasil no Teatro Brigadeiro, em São Paulo. Na segunda edição do Mister Brasil Diversidade 2011, apresentado por Angélica Morango e Matheus Carrieri, o grande vencedor foi o candidato de Rondônia, o modelo Antonio Guilherme, de 28 anos.
O concurso, que contou com o famoso desfile de sunga e perguntas de cunho social, teve disputa acirrada. Tanto que, ao somarem 67 pontos, dois candidatos empataram em primeiro lugar: Antonio e o mineiro Bruno Castro. O júri composto pela ex-panicat Tânia e pela artista trans Léo Áquilla teve a difícil missão de dar o voto de minerva. Por 6 votos a 2, Antonio recebeu a faixa e R$ 5 mil reais.
“Fiquei feliz e surpreso com o resultado. Vi que alguns tinham barriga tanquinho e eu, apesar de não ter barriga, não tinha todo aquele físico. Agora pretendo me mudar para São Paulo e investir na minha carreira”, afirmou o Mister Diversidade 2011, que recebeu a faixa de Vitor Abdalla, vencedor do ano passado.
Além do prêmio, Antonio fará um ensaio para a revista ACAPA e marcará presença nos eventos da comunidade LGBT. O candidato de Santa Catarina, Henrique Queiroz, levou o terceiro lugar e ganhou um cruzeiro nacional com direito a acompanhante. Já o segundo colocado fará uma viagem a Buenos Aires.
SELINHO, PACOTES E PRESEVATIVO
Bastante animado, o ator Matheus Carrieri se rendeu às brincadeiras e provou que não tem qualquer tipo de preconceito. Ao anunciar a presença da artista trans Léo Aquilla, ele relembrou uma peça teatral e a chamou de “maravilhosa”. Feliz com o elogio, Léo sambou no palco, tratou de repetir uma cena do espetáculo e lascou um selinho no galã.
Outro momento curioso foi proporcionado pelo júri, que notou um notável volume na sunga dos candidatos. A apresentadora Angélica revelou o segredo: tratava-se de um “up” promovido por uma coleção de sungas que prometia “valorizar o material”. “É o bojo dos homens”, brincou Carrieri.
As apresentações musicais, que embalaram os intervalos e a soma dos votos do júri, ficaram por conta das cantoras Natália Damini e Nick Valentine. Elas se apresentaram sozinhas e depois surpreenderam a plateia ao cantarem lado a lado o hit de Rihanna S&M. A drag queen Sylvetti Montilla, que estava na platéia, também marcou presença e brincou com o público.
No momento das “perguntas e respostas”, alguns candidatos gaguejaram, outros arrancaram aplausos. O vencedor Antonio respondeu o que pensava sobre o uso de preservativos. “Nos dias de hoje não é possível manter relação sem preservativo. Acho que só é válido em relacionamentos duradouros, em que haja muito amor, fidelidade e respeito.”
O concurso ainda premiou o Mister Simpatia (o amazonense Filipe Mafra, de 23 anos), escolhido pelos próprios concorrentes, e Mister Popularidade (Hugo Ribeiro, de Goiás), eleito através do voto de internautas do Portal Virgula.
Fonte: Jornal eletrônico rondoniaovivo.com.br, Sábado , 25 de Junho de 2011 - 12:19
Quatorze homens representaram na noite de quinta-feira, 23, a beleza gay dos Estados do Brasil no Teatro Brigadeiro, em São Paulo. Na segunda edição do Mister Brasil Diversidade 2011, apresentado por Angélica Morango e Matheus Carrieri, o grande vencedor foi o candidato de Rondônia, o modelo Antonio Guilherme, de 28 anos.
O concurso, que contou com o famoso desfile de sunga e perguntas de cunho social, teve disputa acirrada. Tanto que, ao somarem 67 pontos, dois candidatos empataram em primeiro lugar: Antonio e o mineiro Bruno Castro. O júri composto pela ex-panicat Tânia e pela artista trans Léo Áquilla teve a difícil missão de dar o voto de minerva. Por 6 votos a 2, Antonio recebeu a faixa e R$ 5 mil reais.
“Fiquei feliz e surpreso com o resultado. Vi que alguns tinham barriga tanquinho e eu, apesar de não ter barriga, não tinha todo aquele físico. Agora pretendo me mudar para São Paulo e investir na minha carreira”, afirmou o Mister Diversidade 2011, que recebeu a faixa de Vitor Abdalla, vencedor do ano passado.
Além do prêmio, Antonio fará um ensaio para a revista ACAPA e marcará presença nos eventos da comunidade LGBT. O candidato de Santa Catarina, Henrique Queiroz, levou o terceiro lugar e ganhou um cruzeiro nacional com direito a acompanhante. Já o segundo colocado fará uma viagem a Buenos Aires.
SELINHO, PACOTES E PRESEVATIVO
Bastante animado, o ator Matheus Carrieri se rendeu às brincadeiras e provou que não tem qualquer tipo de preconceito. Ao anunciar a presença da artista trans Léo Aquilla, ele relembrou uma peça teatral e a chamou de “maravilhosa”. Feliz com o elogio, Léo sambou no palco, tratou de repetir uma cena do espetáculo e lascou um selinho no galã.
Outro momento curioso foi proporcionado pelo júri, que notou um notável volume na sunga dos candidatos. A apresentadora Angélica revelou o segredo: tratava-se de um “up” promovido por uma coleção de sungas que prometia “valorizar o material”. “É o bojo dos homens”, brincou Carrieri.
As apresentações musicais, que embalaram os intervalos e a soma dos votos do júri, ficaram por conta das cantoras Natália Damini e Nick Valentine. Elas se apresentaram sozinhas e depois surpreenderam a plateia ao cantarem lado a lado o hit de Rihanna S&M. A drag queen Sylvetti Montilla, que estava na platéia, também marcou presença e brincou com o público.
No momento das “perguntas e respostas”, alguns candidatos gaguejaram, outros arrancaram aplausos. O vencedor Antonio respondeu o que pensava sobre o uso de preservativos. “Nos dias de hoje não é possível manter relação sem preservativo. Acho que só é válido em relacionamentos duradouros, em que haja muito amor, fidelidade e respeito.”
O concurso ainda premiou o Mister Simpatia (o amazonense Filipe Mafra, de 23 anos), escolhido pelos próprios concorrentes, e Mister Popularidade (Hugo Ribeiro, de Goiás), eleito através do voto de internautas do Portal Virgula.
Fonte: Jornal eletrônico rondoniaovivo.com.br, Sábado , 25 de Junho de 2011 - 12:19
quinta-feira, 23 de junho de 2011
ARTISTAS PROTESTAM NO MERADO CULTURAL
| Equipe de fiscais apreendendo equipamentos do Mercado Cultural |
| Fiscais recolhem instrumentos musicais |
Os mecenas e proprietários dos estabelecimentos vitimados pela equipe de fiscais do Código de Postura Municipal, são patrocinadores, inclusive, dos cachês dos nossos aristas caboclos e convidados que se apresentam no Mercado Cultural, cantando esta terra, sua história e sua gente, exaltando e confirmando nossa identidade cultural e nossos heróis. O palco do antigo Mercado Central, hoje, vai muito além de um simples espaço comercial. O Mercado Cultural representa para portovelhenses e rondonienses, de uma maneira brava e legitima, nossa derradeira trincheira definidora do ser cultural amazônico.
Os argumentos apresentados pela equipe do Código de Postura do município são os mais inconsistentes possíveis – inacreditáveis, para ser mais exato – que possa justificar, irrefutavelmente, tal absurdo. Segundo o Código de Postura, o material foi recolhido do Mercado Cultural em razão do uso inadequado do espaço, uma vez que se trata de um teatro e não de uma casa de shows culturais.
| O Vereador Sid Orleans esteve no local, conversou com a Chefe dos fiscais, mas não pode fazer nada para defender os artistas e o Mercado Cultural. |
Músicos, cantores, sambistas, artistas plásticos, dançarinos, artesãos, mestres da cultura popular e agitadores culturais, mobilizados, se apresentarão no palco do mercado, nesta quinta, dia 23 de junho, a partir das 20:00 horas, durante a realização do Projeto Quinta Cultural, excepcionalmente destinado, hoje, para protestos em defesa do artista, da cultura e do patrimônio cultural local. Os coordenadores do protesto solicitam ao público que leve seu ‘banquinho’ para se acomodar, uma vez que o Mercado Cultural teve parte de seus equipamentos estruturais aprendidos pela equipe de Fiscalização da Prefeitura de Porto Velho.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
LAIO – O SILÊNCIO DO UIRAPURU
| Imagem colhida na internet |
Um dos uirapurus da Amazônia silenciou de vez. O Laio rasgou a cortina do tempo, estufou o peito, soltou a voz e foi cantar lá no céu. Cantava como poucos, de forma emocionada. O criativo compositor e cantor tanto fez que ultimamente já não habitava os raios dos holofotes da cena cultural e emprestava o seu melodioso em forma de oração para o movimento da Renovação Carismática Católica entoando, de quando em vez, orações musicais que iam alojar-se direto nos corações das pessoas. Por entre rios e florestas, quis o imã do registro histórico que buscássemos agora, em simbólico mergulho nas barrentas e apressadas águas do Madeira, o menino Laio, conterrâneo nosso lá da Vila de Calama (hoje distrito). Sem receios, mas aboletado na sua curiosidade beradeira, um dia aportou no Cai N`Água, pruma vida de prosa cultural e fé católica na cidade porto. Abriu o paneiro e passou então a exibir os bribotes da sua criação e invencionice musical, melódica e poética. O Laio cantou pro botos e pras araras, cantou pras matas e pros pássaros, pros índios e pros brancos. Se permitiu ser e fazer árvore fértil, prenhe de pura seiva, deixando gotejar, com fluidez, do seu tronco-peito os poemas, os versos e os cantos, cujos quais, podemos, definir como mantras amazônicos. Sua marcante voz se vez ouvir pelos brados dos Movimento Cultural Grito de Cantadores, ecoando nos longes do Teatro Amazonas (Manaus), Praça da Sé (São Paulo), Sala Cecília Meirelles (Rio Janeiro), Museu da Imagem e do Som (Belo Horizonte). A voz do “caboco” foi longe e exprimiu a força do nosso verde e o multicor da nossa verve criativa. O Laio também hasteou a bandeira do nosso cultural aqui e noutras paragens. Não bastando em si, criou com seus pares, Tatá, Monteiro, Nazareno e Roberto Matias, o ainda hoje atuante grupo seresteiro Anjos da Madrugada. Com os Anjos ele também cantou pra cidade e pras pessoas, pro amor e pra alegria de viver, como quem, dissesse ser a vida, uma dança mágica. Do epicentro de sua explosão criativa saiu vestido com o chapéu de fitas e se fez o amo do Bumba Diamante Negro. Antes, porém, já houvera brincado nos improvisos do fama Rei do Campo. Pensava rápido e compunha com maestria. Em suas autorias constam versos marcantes em defesa do vôo livre das asas
azuis e vermelhas (música Por Deus, Por Nós). Disse que “cantar bumba e a alegria do povo, é ser feliz de novo, na Flor do Maracujá” (música Toadas). Cantou a fronteira do roçado com a floresta versando: “és coração como acero, se da mata és o início, do roçado és o fim” (música Acero). Fincado em suas raízes e sentimentos animou a brincadeira popular cantando “quem corre cansa, quem anda alcança, boneco duro, rouba bandeira, brinca de roda, da machadinha e bela condessa.” (música Terreiros). De tanto lutar, viver, cantar e compor, lá se foi o Laio, um desses uirapurus amazônicos que nos deixa o legado de homem bom e de boa fé. Na prateleira da existência, deixa uma história de vida ornada por sua obra. No peito da família e dos amigos fica um vazio com o nome saudade. Antes que esta dor se nos encha o peito, fechemos os olhos e imaginemos o Laio a nos embalar com ânimos para vida adiante com estes versos: “quando alguém tiver de se desesperar e quiser sentir no coração a poesia, a fantasia, a certeza de um tempo, é cantar é compor. Cada verso que eu escrevo é fantasia, é a vida que me deixa assim, mas parece até que é coisa do destino, cada verso é um pedaço de mim.”
O autor é presidente da Fundação Cultural Iaripuna
tatadeportovelho@gmail.com
sábado, 18 de junho de 2011
EDNART E EQUIPE DECORAM ARENA DO FLOR
Depois de uma delicada costura política, muitos cochichos ao pé do ouvido e uma verdadeira cerimônia de beija-mão, envolvendo a alta cúpula do Boi-Bumabá Flor do Campo e a equipe técnica da SECEL, capitaneada pelo próprio titular da pasta, o Secretário Francisco Leilson Chicão - que foi pessoalmente até a Pérola do Mamoré para fazer o arremate final do acordo financeiro, negociando o passe do artista-mór do grêmio folclórico Flor do Campo - é que Estelina de Morais, a presidente do bumbá, aceitou fechar contrato cedendo por um prazo de 15 dias a dupla Ednart Gomes e Dayna Souza - e sua trope de artistas e artesãos auxiliares – para realizar a decoração da arena de disputa estética da XXX Mostra de Quadrilhas e Bois-Bumbás, grande palco reluzente por onde circulam as mais frondosas expressões culturais do plano imaterial, produzidas por artistas anônimos das terras outrora habitadas por karipunas e karitianas.
Ednart e troupe desembarcam em Porto Velho sexta-feira, 17, e logo foram discutindo com a Gerente de Cultura da SECEL, a jovem Cândrica Madalena Bebel, todo o material necessário para começar os trabalhos de ornamentação, enquanto outra equipe, também comandada por Bebel, providencia o barracão para confecção das estruturas em metal.
Compõe a equipe de artistas de Ednart, além de sua esposa Dayna, Luciane Barbosa, os Sandros Luiz e Ribeiro, Angerlan (Geléia) e Nelson Luz, que, segundo o boi vermelho, é a fina flor artística do Boi-Bumbá Flor do Campo, de Guajará-Mirim.
| Ednart, Severino (Rádio Farol), Dayna e Bebel |
Depois de uma delicada costura política, muitos cochichos ao pé do ouvido e uma verdadeira cerimônia de beija-mão, envolvendo a alta cúpula do Boi-Bumabá Flor do Campo e a equipe técnica da SECEL, capitaneada pelo próprio titular da pasta, o Secretário Francisco Leilson Chicão - que foi pessoalmente até a Pérola do Mamoré para fazer o arremate final do acordo financeiro, negociando o passe do artista-mór do grêmio folclórico Flor do Campo - é que Estelina de Morais, a presidente do bumbá, aceitou fechar contrato cedendo por um prazo de 15 dias a dupla Ednart Gomes e Dayna Souza - e sua trope de artistas e artesãos auxiliares – para realizar a decoração da arena de disputa estética da XXX Mostra de Quadrilhas e Bois-Bumbás, grande palco reluzente por onde circulam as mais frondosas expressões culturais do plano imaterial, produzidas por artistas anônimos das terras outrora habitadas por karipunas e karitianas.
| Equipe de Arte de Ednart trabalhando |
Ednart e troupe desembarcam em Porto Velho sexta-feira, 17, e logo foram discutindo com a Gerente de Cultura da SECEL, a jovem Cândrica Madalena Bebel, todo o material necessário para começar os trabalhos de ornamentação, enquanto outra equipe, também comandada por Bebel, providencia o barracão para confecção das estruturas em metal.
Compõe a equipe de artistas de Ednart, além de sua esposa Dayna, Luciane Barbosa, os Sandros Luiz e Ribeiro, Angerlan (Geléia) e Nelson Luz, que, segundo o boi vermelho, é a fina flor artística do Boi-Bumbá Flor do Campo, de Guajará-Mirim.
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