quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

CARNAVAL DE GUAJARÁ 2016: TUDO DEU ERRADO



          
            
Carnaval de Guajará 2016: Edilene Souza e Banda
“O ano brasileiro só começa depois das festas momescas”. “O brasileiro só trabalha depois do carnaval”. Quem de nós nunca ouviu estas frases, ou similares a estas? Analisando bem de perto, o que se pode concluir com tais afirmações, verdadeiramente, que são visões preconceituosas sobre a cultura popular, o artista e seu produto de arte.

            Se o brasileiro só trabalha depois da folia, fica a pergunta: quem produz as maiores obras de cultura popular do mundo, do campo imaterial, reconhecidas internacionalmente como ímpares, e que aflora por todo território nacional no período carnavalesco? Certamente, nas visões de preconceituosos, de conservadores e religiosos fundamentalistas são pessoas ‘desocupadas’, ‘pessoas que não tem nada sério para fazer’: artistas, artesãos e artífices, gente vagabunda.

Há algumas décadas passadas – não faz tanto tempo assim – atrizes do teatro de revista deste Brasil eram fichadas nas delegacias de polícias como prostitutas, vagabundas, com direito a ‘carteirinha de puta’ (vejam depoimentos da saudosa Dercy Gonçalves). Sempre foi assim, ao longo da história, o artista popular é um desocupado, assim como, seu produto de arte e o seu labor são produtos de gentes desocupadas. Não conta como trabalho sério.

Carnaval de Guajará 2016: concurso de dança
Quem faz carnaval por este Brasil a fora – ou boi-bumbá em Guajará-Mirim – são bêbados, preguiçosos desempregados, putas, ‘viados’, ‘noiados’ ou desocupados – na visão daqueles que não querem o carnaval; daqueles que não gostam de bois-bumbás; daqueles que são contra a arte popular e as manifestações culturais do povo; daqueles contrários às tradições culturais do homem simples. Em resumo: preconceito puro.

Aliás, os trabalhos do carnaval para 2017 começam logo após o encerramento dos desfiles dos GRESs e o pronunciamento do grêmio vencedor do certame deste ano. Diretoria, carnavalescos, artistas, colaboradores e a comunidade dão início à labuta para por nas passarelas de samba de todo Brasil, a ópera popular carnavalesco do ano seguinte. É um trabalho de Hércules, árduo, delicado, para quem acredita na arte e no artista – ou de vagabundos preguiçosos, para quem odeia a cultura popular.

Na festa carnavalesca de Guajará-Mirim de 2016 deu tudo errado – para os preconceituosos, para os fundamentalistas religiosos e para autoridades públicas e lideranças que não suportam a estética popular e a felicidade do povo simples. Esperavam e torciam pela catástrofe. Desejavam a violência no período momesco. Estavam na torcida do quanto pior melhor: tiros, facadas, pedradas, brigas, mortes e muita violência, para assim, justificarem seus discursos conservadores em desfavor da folia do povo e do carnaval popular.

Carnaval de Guajará 2016: grande pública se diverte
Deu tudo errado para os pessimistas que esperavam um cenário pandemônico, pois, ao contrário dos desejos insanos dos agourentos, no período carnavalesco da Pérola do Mamoré reinou alegria, predominou a convivência pacífica, como determina sua majestade o Rei Momo.

Os índices de violência da cidade não atingiram a estratosfera, como esperam alguns. Mantiveram-se nos padrões de sempre, nos índices corriqueiros da urbe mamorense. Para os céticos, consultem os boletins de ocorrências policiais, de janeiro a janeiro, e comparem.

Carnaval de Guajará 2016: Lohanna Kawazak
Pontuou neste carnaval a promolter e empresária Lohanna kawazak, a nossa “Zé Pereira” do carnaval na fronteira, pois a mesma chamou para si a responsabilidade constitucional do ente público e, em parceria com Melki Moraes e a empresa MS Sonorização, realizaram a festa da Corte de Rei Momo em Guajará-Mirim, dando ao povo muita alegria e diversão, em cenário de muita paz.

Pontuaram todos os foliões que acreditaram na cultura popular e na força do carnaval de Guajará-Mirim, ao prestigiarem o carnaval perolense, perpetuando assim, a estética carnavalesca do povo brasileiro e a singularidade de nossas manifestações culturais identitárias.

Carnaval de Guajará 2016: Bloco Resenha na Folia
Pontuaram também todos os foliões e amantes da cultura popular ao não se renderem ao discurso conservador e à autoridade ingrata e, de forma improvisada, saíram pelas ruas e avenidas da cidade (cheias de lixo, buraco e lama), em cordões carnavalescos espontâneos, brincando carnaval, como fizeram a diretoria e os brincantes do Bloco Carnavalesco Resenha na Folia, coordenado pelo médico Wenceslau Ruiz.

Carnaval de Guajará 2016: vendedores ambulantes
Ganharam os vendedores ambulantes que se instalaram - com suas tendas e carrinhos de vendas - nos arredores do grande circo carnavalesco, espaço de potencialidades e oportunidades para trabalhadores de todas as horas (nunca preguiçosos), que farejam na grande festa carnavalesca, promissor ambiente para geração de ocupações e rendas extras para sustento de suas famílias.

Em síntese, na folia momesca da Pérola do Mamoré venceu a força da cultura popular. Venceram Rei Momo, o carnaval brasileiro e a folia carnavalesca de Guajará-Mirim. Mais uma vez, venceu a estética do povo.  

No carnaval popular de Guajará-Mirim de 2016 deu tudo certo, para quem ama brincar ou trabalhar no carnaval! VIVA A CULTURA POPULAR!

sábado, 6 de fevereiro de 2016

FLOR DO CAMPO FATURANDO NA FOLIA DE MOMO


Rosa Solani, Diretora de Arena do Boi Flor do Campo

São inegáveis as possibilidades do carnaval popular e a economia informal. Enquanto uns se divertem, outros aproveitam os quatro dias do reinado de Momo para faturar uma renda extra.  Muitas são as famílias que tiram seus sustentos de eventos em eventos, peregrinando o ano inteiro, vendendo de tudo, para aumentar a renda da família e pagar as contas do mês.

Ultimamente, não só vendedores ambulantes procuram estes espaços. Associações culturais e beneficentes também buscam lucrar um extra na rebarba dos grandes certames culturais.

Carnaval 2016: Barraca do Boi Flor do Campo
No local onde acontecerá o Carnaval 2016 de Guajará-Mirim, em frente ao Ginásio Afonso Rodrigues, do lado esquerdo da entra principal, está instalada a barraca da Associação Cultural Boi-Bumbá Flor do Campo, onde seus diretores estarão vendendo bebidas e comidas para o público de foliões e, assim, arrecadar fundos extra para cobrir pequenas despesas da associação, assim como, organizar a apresentação do bumbá para este ano de 2016.

Rosa Solani, Diretora de Arena do boi vermelho comunica e convida amantes e foliões da cultura carnavalesca e de bumbá, para prestigiarem a barraca do Flor do Campo, degustando menu especial preparado para o evento e, desta forma, ajudar o boi do bairro Tamandaré.



COMEÇA HOJE O CARNAVAL DE GUAJARÁ


Lohanna Kawazak, Edilene Souza e Banda Sou Pop

Por volta das 16 hora, a trupe de artistas que irá animar o carnaval da Pérola do Mamoré neste sábado, 6 de fevereiro,  visitou as instalações onde acontecerá o certame carnavalesco organizado pela promolter Lohanna Kawazak, em parceria com Melki Moraes, Kupin, Careca e a empresa MS Sonorização. O objetivo da vista era conhecer o espaço e a estrutura de sonorização e iluminação disponibilizada para os quatro dias de festa.

Lohanna Kawazak e Melki Moraes
Nesta primeira noite do Carnaval 2016, que acontece em frente ao Ginásio Afonso Rodrigues, estará se apresentando a Rainha do Carnaval de Rondônia, Edilene Souza e a Banda Sou Pop. Os artistas ficaram muito satisfeitos com a estrutura disponibilizada e garantem aos foliões guajaramirenses que estão preparados para realizar o melhor carnaval de todos os tempos, onde reinará somente a alegria, conforme determina Rei Momo.

A promolter Lohanna Kawazak convida a população, a família e a todos os foliões que gostam da brincadeira de carnaval, para participarem desta primeira noite de festa, “na certeza de ser este um carnaval que revitaliza a festa de Momo em Guajará-Mirim, com muita alegria e paz para todos os foliões”.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

CARNAVAL: DIREITO DE TODOS, OBRIGAÇÃO DO ESTADO E FATOR DE DESENVOLVIMENTO LOCAL



Entrada da festa de Momo em Guajará-Mirim
O direito ao acesso ao bem cultural, além de constar no rol dos direitos humanos previstos expressamente na Declaração Universal de Direitos Humanos (1948), no Brasil encontra-se devidamente garantido na Constituição Federal de 1988: “Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”. Garante o § 1.º do artigo acima citado: “O Estado protegerá as manifestações das culturas populares (grifo nosso), indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.

O carnaval é um dos festejos de maior envergadura plástica popular do Brasil e sua relevância enquanto elemento identitário do povo brasileiro é inegável. Trata-se também de festejo nacional altamente democrático, vez que une a todos em uma mesmo espaço social: brancos, negros e índios, ricos e pobres, homens e mulheres, heterossexual e homossexual, jovens, idosos e portadores de necessidades especiais, centro e periferia.

A Prefeitura de Guajará-Mirim cancelou a programação oficialmente do Carnaval popular de 2016 que, segundo as alegações do chefe do executivo municipal, se deu por falta de recursos e em razão das secretarias de Saúde e Educação serem prioridades neste momento de crise.

Arrisco afirmar que o cancelamento das atividades festivas oficiais da Corte de Rei Momo, não só em terras perolenses, mas também em todos municípios onde não haverá carnaval, é muito mais falta de vontade e criatividade da autoridade pública, que mesmo falta de recursos financeiros.

Estrutura da empresa MS Sonorização
Em todo Brasil, alguns prefeitos adotaram como medida ‘simpática’, a não realização do carnaval popular oficial, visando, desta feita, atender e agradar setores fundamentalistas e preconceituosos da sociedade, que fazem pressão junto à autoridade pública, e que vêem o carnaval como festa demoníaca, esbanjadora da promiscuidade e antro de devassidão. Neste sentido, a autoridade responsável pela gestão do carnaval – entendendo carnaval como cultura, patrimônio nacional e traço identitário e singular do povo brasileiro - ignora as potencialidades das manifestações culturais populares como geradoras de oportunidades, de ocupação, de renda e, muito mais que isto: não vislumbram – nem de longe - a cultura popular como mola propulsora da economia de seus municípios e, em especial, Guajará-Mirim, que naturalmente se insere em lista de cidade turística.

Assim, sob o manto da ignorância, do preconceito, da cegueira e da falta de vontade e sensibilidade política por parte de inúmeras autoridades públicas de centenas de municípios brasileiros, é que, em pleno século 21, gestores públicos, parlamentares e empresários locais tateiam, quase sempre, a gestão da cultura popular de forma repugnante – sem perceber suas potencialidades. E, desta maneira, conduzem o produto cultural do município e suas potencialidades, particularmente a Economia da Cultura, para bancarrota. O que torna este discurso torpe, cego e ultrapassado não é o seu tom moralista, mas o desprezo ao enorme potencial econômico desta festa popular que faz circular bilhões de reais, todos os anos e em todo Brasil (exceto em Guajará-Mirim). Logo aqui, onde o turismo de negócio, o turismo ambiental, o turismo religioso e o turismo cultural são potencialidades imensuráveis, latente a flor da pele, porém pouco explorado por empresários e pelas autoridades públicas.

Estrutura montada para o carnaval 2016 em Guajará
Diante da omissão do poder público municipal na festa momesca da Pérola do Mamoré, eis que surge, como super heroína, a promolter e empresária lohanna kawazak, a nossa “Zé Pereira” do carnaval na fronteira.

Quem é "Zé Pereira"? O sapateiro português José Nogueira de Azevedo Paredes é o "Zé Pereira", que em um Carnaval, por volta de 1850, reuniu amigos e agitou as ruas do Rio de Janeiro ao som de bumbos, zabumbas e tambores. E foi assim que o carnaval foi se tornando, a cada ano, uma festa popular e democrática.

A promolter Iohanna Kawazak - em parceria com Melki Moraes, Kupin e Careca, e a empresa MS Sonorização - irá realizar a festa da Corte de Rei Momo em Guajará-Mirim, nos dias 6, 7, 8 e 9 de fevereiro, em frente ao Ginásio Afonso Rodrigues. Amantes da cultura popular e súditos do Rei Momo deverão se encontra neste endereço, para brincar carnaval, celebrar o reinado de Momo e agradecer a nossa “Zé Pereira” Iohanna Kawazak, por nos oportunizar brincar carnaval. Viva a cultura popular e carnaval da fronteira! Viva Iohanna Kawazak, a nossa “Zé Pereira”!

Ps: na quarta-feira de cinzas, a saúde irá continuar com os mesmos problemas, faltando medicamentos e médicos; na educação, os salários dos professores continuarão atrasando e as escolas caindo aos pedaços; as ruas da cidade estarão como sempre estiveram: escuras, cheias de lamas e buracos... Lamento informar, mas o carnaval não é o culpado.
 

O FESTIVAL FOLCLÓRICO DE GUAJARÁ-MIRIM: A CELEBRAÇÃO DA NOSSA IDENTIDADE CULTURAL

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