quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

DESCORTINANDO A VERDADEIRA GUAYARAMERÍN



Pegando o mototáxi em Guayaramerín, Beni, Bolívia
Depois que voltei a morar na Pérola do Mamoré - minha terra natal - tenho ido com mais frequência passear na cidade de Guayaramerín, Bolívia. Lá procuro fazer o que 99% dos turistas, visitantes e sacoleiros não fazem, que é conhecer e usufruir daquilo que há de mais interessante e delicioso na cidade irmã da Pérola do Mamoré, qual seja: sua gente e sua cultura.

Centro comercial de Guayaramerín
A cultura, a história e as pessoas que moram na cidade Guayaramerín, são invisíveis para turistas, muambeiros e analfabetos estéticos, que invadem a cidade hermana com o voraz propósito de consumir tudo que encontrar pela frente, sem qualquer senso e responsabilidade de consumo. Chegam de suas cidades de origem apenas para comprar tudo o que é de bugiganga pirateada “mede in china”.


Para quem quer comprar ou consumir qualquer produto, verdadeiramente boliviano, capaz de traduzir o espírito e a alma da Bolívia e de seu povo, neste caso, os caminhos são outros e não passam, necessariamente, pela Calle Federico Román, via de fluxo comercial intenso de Guayaramerín, onde está sediada a maioria das lojas que vendem todo tipo produtos e quinquilharias (quase sempre falsificadas), importadas da China.

Bar Veintiocho
Neste último domingo, dia 5, mais uma vez fui até a cidade de Guayaramerín, Bani, acompanhado de Jamyle Vanessa (minha irmã que veio passar o Reveillon em família), e da Professora Lilian da Silva Ferreira, que conhece a cidade co-hermana como a palma de sua mão. Não deu outra e, mais uma vez mergulhei nas tradições, cultura e cotidiano dos nossos irmãos bolivianos.

Ciceroneados pela Professora Lilian, começamos o passeio tomando algumas cervejas parcenãs no Bar Veintiocho, localizado na Calle Sucre, subesquina com Calle Oscar Ú de La Vega. E enquanto degustávamos um dos melhores produtos genuinamente boliviano – a cerveja parcenã – e falávamos sobre diversos assuntos e sobre algumas pessoas de feitos maravilhosos – e de outras gentinhas de procedência  e postura ordinárias - também escutávamos uma banda musical, afinada, tocando cancioneiros bolivianos, ali bem próximo. Depois de algumas cervejas, já encorajada, a Professora Lilian resolveu tirar a limpo onde acontecia tal festa.

Ao voltar, nossa espiã deu poucas informações, como é do perfil dos agentes secretos. Continuamos a beber parcenãs. Depois de uma dúzia, já muy borracha, nossa cicerone nos intimou a comparecermos na festa dos hermanos, pessoas que se quer conhecíamos.

‘De penetra’, fomos nos chegando, com a maior cara de pau, e nos abancando na festa alheia. O fato é que fomos todos muito bem recebidos pelo anfitrião, sua família e amigos. A bandinha que animava a festa, em homenagem aos ‘penetras, logo passou a tocar samba da melhor qualidade. E aí foi tudo festa.
L. direito: Engo. Luiz Pabro. L. Esquerdo: seu pai
A acolhida maravilhosa foi realizada pelo filho do anfitrião, Engº. Luiz Pablo Roca Frota, que nos apresentou a todos e nos conduziu até a uma mesa farta, quando fomos convidados a comer. Prato principal: farofa de tortuga no casco (aqui também chamada de “peta” de rio), acompanhada de vários outros pratos deliciosos também feitos de tortuga (tartaruga). Comi despreocupadamente, afinal aqui não é proibido o consumo e, menos ainda, não há IBAMA na cidade irmã da Pérola do Mamoré.

E assim vou descortinando e conhecendo a verdadeira cidade de Guayaramerín, reconhecendo sua gente, compreendendo o multiculturalismo deste povo e experimentando os seus mais genuínos costumes.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

REFORÇANDO O PROJETO CULTIVE PLANTAS, LIXO NÃO



Victor Gabriel: cultivando novas mudas

Para continuar avançando com o Projeto “Cultive Plantas, Lixo Não”, que tem por objetivo cultivar plantas ornamentais nos canteiros públicos das avenidas e praças da Pérola do Mamoré, neste último final de semana, Victor Gabriel, 4 anos, deu início ao plantio de mais uma leva de novas mudas, além de acompanhar o grupo de colaborados que executam o projeto, que visitou residências de alguns amigos, em busca de novas espécies de plantas, próprias para canteiros e jardins em espaços públicos.

A União Municipal das Associações de Moradores de Guajará-Mirim (UMAM), visitada também neste final de semana, é parceira do projeto, cedendo as varetas que são fincadas ao redor de cada planta jovem, para proteger e garantir o crescimento das novas mudas hortadas.

           
Ariel Argobe reforçando proteção de mudas
No novo molho de pequenas estacas doadas pela UMAM, serão utilizadas para substituírem algumas que já foram quebradas ou arrancadas, deixando as primeiras mudas plantadas em dia 15 de dezembro de 2013, completamente desprotegidas.


Lú Barbosa, colaboradora do Proejto
Todo cidadão e morador que se interessar em somar-se a esta campanha e, voluntariamente contribuir com a melhoria do visual de nossa Pérola do Mamoré, é só entrar em contato por meio do endereço eletrônico: cultiveplantas@yahoo.com.br.

 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

CASO TANUS: JUSTIÇA JÁ


Há muito a população brasileira clama por uma justiça mais rápida e eficiente, pois, desconfia que a mesma não é só cega. A justiça é cega, surda, muda e ‘zureta’ das idéias. Sem acreditar nas instituições públicas, o cidadão sedento por uma sociedade mais justa, se arvora em fazer a sua própria justiça, o que é um grande risco ao estado democrático de direito, para não dizer crime.

Foi o que quase aconteceu nas primeiras horas da tarde desta quarta-feira, 1º de janeiro de 2014, em Guajará-Mirim, quando centenas de populares se dirigiram para Delegacia de Polícia, ao tomarem conhecimento da prisão de Tanus dos Santos, de 23 anos, assassino cruel de Luciene Almeida Rodrigues, de 28 anos (sua namorada), mãe de Renato, uma criança de 5 anos, e do adolescente Elissandro, de 16 anos, todos mortos com tiros disparados em suas cabeças

 No calor do momento, sabendo que a prisão não garante bandido encarcerado, a população da Pérola do Mamoré apedrejou o prédio e tentou invadir a Delegacia de Polícia e virar viatura estacionada em frente, alem de saquearem o supermercado da família do assassino. Só recuaram quando policiais militares, civis e da força nacional impediram atirando com balas de borracha e esguichando gás de pimenta contra os populares revoltosos


Sabemos que linchamento é vedado por lei, além de crime e que vivemos hoje em um estado democrático de direito; que o cidadão não tem o poder de se autotutelar. Porém, o que ocorre é uma total descrença nos poderes instituídos e, por este motivo, nossa gente ordeira, o cidadão de bem, chocado com a barbárie praticada por Tanus, tentou linchá-lo diante dos olhos de todos e da própria polícia.

Todos têm a liberdade de fazer o que bem entender, contudo, se não estamos respaldados pelas normas vigentes e ancorados na ética, já nos autocondenamos. Ao se fazer justiça com as próprias mãos, a população, o cidadão e a cidadã de bem passam a aderir à criminalidade como resposta à falta de segurança vivida por todos nós que moramos na pacata Guajará.

Queremos justiça, Exigimos mais segurança e paz. Queremos Tanus dos Santos fora do convívio social e, se possível, para sempre cerrado entre grades. O que aconteceu com Luciene e seus filhos também poderá acontecer com nossas famílias. Justiça já!

O FESTIVAL FOLCLÓRICO DE GUAJARÁ-MIRIM: A CELEBRAÇÃO DA NOSSA IDENTIDADE CULTURAL

Imagem colhida na internet (https://rondonia.ro.gov.br/) O Festival Folclórico de Guajará-Mirim, conhecido como Duelo na Fronteira, é muito ...